
@PitacosElite O que o Bahia significa para você?
Zé Ricardo: Essa pergunta parece simples, mas é um pouco complicada. Para responder, vou ter que entrar na máquina do tempo. Quando eu era criança, morava na Ladeira do Pepino, ao lado da Fonte Nova. Dizem até que a ladeira ganhou esse nome quando me viram pelado. Mas deixa quieto. Meu pai sempre foi Bahia e um dos nossos programas era ir ao estádio. Como a gente morava perto, ia sempre. Portanto, o Bahia marcou minha vida, minha relação com meu pai e meus irmãos. Agora, moro em São Paulo e o Bahia acabou ganhando outro significado. É um jeito de manter as raízes, de me sentir em casa, mesmo estando longe. Gosto também de pensar no Bahia como uma lição de vida. Vou filosofar agora. O Bahia é a gente mostrando que também pode fazer alguma coisa grande. Um time do nordeste que foi campeão do Brasil duas vezes é a prova de que, apesar das dificuldades econômicas e culturais, o povo de lugares menos “badalados” também tem seu valor. É só entrar em campo.
@PitacosElite: Quando começou o teu amor pelo Bahia?
Zé Ricardo: Não sei. Não tenho um jogo ou uma conquista que sirva como marca. Minha relação com o Bahia é natural, eu cresci com o Bahia dentro de casa.
@PitacosElite Você já fez loucuras para ver algum jogo do Bahia? Se sim, conte qual foi a maior de todas?
Zé Ricardo: P#rra, sou um cara normal demais. Nunca fiz nada de absurdo para ver o Bahia. O que eu já fiz foi ir para jogos aqui em São Paulo ou em Belo Horizonte mesmo estando com uma montanha de trabalho em cima da mesa. Acabava o jogo, eu voltava para a labuta. O problema era quando o Bahia perdia. Aí além de atrasado, eu voltava revoltado.
@PitacosElite E o jeito que você escreve no blog, é uma forma de atrair leitores, ou é o que você sente nos jogos?
Zé Ricardo: O blog é do torcedor, não é de um jornalista ou de um crítico que analisa o futebol de uma forma séria e profissional. Não espere que eu fale quem está no departamento médico ou quem está treinando bem. O blog é a arquibancada, é a mesa do bar, é o buzú, é o banheiro da firma. Você já viu algum torcedor falando “o Bahia não ataca pelos flancos de uma forma eficaz”? Eu sempre gostei do jeito que o povo fala. Resolvi que no Blog do Torcedor não vai ter viadagem, vou falar de um jeito que o torcedor baiano entenda. É uma questão de estilo e muita gente não entende isso. Proponho um exercício: conta aí quantos sites de notícias sobre o Bahia você conhece. Porra, eu não quero copiar e colar. Pode parecer pretensioso demais, mas quero criar conteúdo. Mesmo porque eu não vivo disso e posso fazer minhas maluquices sem medo de perder o emprego.
@PitacosElite Como foi para você receber o convite para representar o Bahia no blog do GE ?
Zé Ricardo: Eu sou cria do BBMP (ficou bonito isso aí, hein, Bolota?!), estava com Fábio no pontapé inicial do Blog. O BBMP ganhou tanta repercussão que a Globo, quando decidiu fazer o Blog do Torcedor do Bahia, convidou a gente para participar do processo de seleção. Fui, vi e entrei no Blog.
@PitacosElite Qual foi o jogo que mais te marcou positivamente?
Zé Ricardo: Tenho dois jogos para citar. Um é Bahia 3x1 Grêmio, 1988. Lembro que meu pai estava muito empolgado com o time e o Bahia estava comendo a bola. Eu tinha 13 anos, mas não lembro tantos detalhes quanto gostaria. Lembro só que foi um dia divertido pacar**. O outro é Bahia 3x2 Bragantino, em 1990. Era mata-mata, o jogo da volta. Ganhamos com um gol de falta de Wagner Basílio. A Fonte estava linda nesse dia.
@PitacosElite E negativamente?
Zé Ricardo: Bahia 0x7 Cruzeiro. Eu morava em Belo Horizonte nessa época e vi o jogo cercado de mineiros. Se fosse cercado de mineiras, até que nem ia ligar muito. Confesso que fiquei revoltado, com vergonha, triste. Vontade de mudar o Bahia, invadir o Fazendão, colocar a diretoria para correr, o conselho, a imprensa vendida, todo mundo. Até hoje tenho essa vontade. Tem um rebanho de corno que ainda pensa que a gente está na época do coronelismo.
@PitacosElite Alguma pessoa de sua família torce pro Vitória?
Zé Ricardo: Tem um cachorro lá que late fino, tem medo até da sombra e nunca conseguiu morder ninguém. Desconfio que ele é Vitória. Brincadeira, não tem ninguém, mas não teria importância se tivesse. É só futebol.
@PitacosElite Se tiver algum torcedor do Vitória como é o clima quando tem o tradicional clássico BaVi ?
Zé Ricardo: Clima de brincadeira, velho. Tranquilo e quilo. Sem essa de violência. O cara sacaneia se o Vitória ganhar, eu sacaneio se o Bahia ganhar e vamos que vamos. Sem a viadagem do politicamente correto e sem esquentar a cabeça demais.
@PitacosElite Você tinha quantos anos, quando o Bahia foi campeão em 88?
Zé Ricardo: Em 88, tinha 13. Em 89, fiz 14 em janeiro. Na verdade, verdade mesmo, o título foi para mim, foi meu presente de aniversário.
@PitacosElite Quantos títulos você já presenciou no estádio?
Zé Ricardo: O de Campeão Brasileiro, não vi. Estava de férias e viajando com meus pais. A gente chegou perto do dia do jogo da Fonte e não tinha mais ingressos. Vi pela TV. Campeonato Baiano, nem lembro quantos. O gol de Raudinei, também não vi, estava do lado de fora da Fonte, não consegui ingresso para entrar.
@PitacosElite Bom, obrigado pela entrevista...um forte abraço, e boa sorte no blog!
Zé Ricardo: P#rra, detesto entrevista. Aliás, nunca dei uma entrevista, essa foi a primeira. Fui sério pacar#leo, né?!
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